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A experiência da Pfizer de contratar um estagiário de 70 anos é uma lição de sabedoria, humildade e parceria. Confira uma das mais sábias palestras do SXSW.

Sally Susman é a Vice-Presidente de Assuntos Corporativos da Pfizer e membro do Grupo de Liderança Executiva da companhia. Após ver o filme “O estagiário”, estrelado por Robert de Niro e Anne Hathaway, na qual o premiado ator caracteriza um senhor de 70 anos que vai trabalhar como estagiário em uma startup de sucesso comandado justamente pela estrela (que, por sua vez, fez uma estagiária em “O Diabo veste Prada”), Sally perguntou a si mesma por que não contratar um estagiário de 70 anos?

O SXSW trouxe então a história de Paul Critchlow, que, como de Niro na ficção, passou o verão trabalhando como estagiário no laboratório inventor do Viagra, junto com estudantes universitários, enfrentando desafios, desenvolvendo ideias e se divertindo bastante.

A ideia central foi justamente confrontar visões de mundo distintas e quebrar as barreiras da idade. Paul afinal era um boomer, nascido no pós-guerra, representante da geração que mais criou riqueza na história americana, convivendo com pessoas muito mais jovens. Essa experiência pode ser replicada em qualquer empresa?
Boa ideia explorar essa temática, e esta foi a proposta do painel “O Boomer Millennial: Quando um Aposentado Vira Estagiário”, que trouxe o próprio Paul Critchlow, Sally Susman e também o repórter David Zax, da Fast Company (mediador da conversa), e Sophie Spallas, atualmente caloura na Universidade de Southern Califórnia e ex-colega de estágio de Paul na Pfizer.

Aprendizado
O grande resultado dessa experiência foi aprendizado mútuo. Uma das jovens que trabalhou com Paul fez dele uma espécie de mentor. Ele assumiu um papel significativo para o time e superou as expectativas na opinião de Sally. A experiência foi interessante também para ressaltar que o trabalho de um estagiário não era menor. Um estagiário pode assumir responsabilidades e mesmo fazer com que a pessoa se sinta recompensada na função.

Sophie diz que Paul se interessou desde o início sobre como as pessoas trabalhavam, injetava bom humor na equipe e integrou-se mais facilmente do que se esperava no grupo de trabalho. Ela fez questão de ressaltar que o respeito e o cuidado que ele tinha com as pessoas, a compreensão com o erro foram extremamente importantes. Sally comentou que a sabedoria do veterano acalmava as pessoas diante da pressão e das falhas. O trabalho prioritário dele foi justamente o de atuar como um mentor para os mais jovens.
Agora o curioso é que Paul, sem nenhuma experiência em redes sociais, teve como uma de suas atividades gerar conteúdos no Facebook! Ele diz que os Millennials e os Boomers são grandes grupos de pessoas ativistas. São as duas gerações mais ativistas da história e por isso acabam tendo grande sinergia. Dessa forma, o trabalho dele no Facebook para a Pfizer fez sentido. Ele também ajudou a criar uma web série “sênior x sênior”, onde teve a chance de escrever sobre o significado de envelhecer e transmitir esse conhecimento para muitas pessoas, dentro de uma estratégia da Pfizer de se conectar com consumidores.

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As recompensas para a vida
As lições dessa história foram exemplares: para Sally, o aprendizado reforçou a ideia de que uma ação necessária deve ser realizada e as empresas devem estar abertas para essas tentativas. Para Sophie, a lição foi de que o sucesso pode ser importante, mas a vida traz muito mais experiências recompensadoras que o sucesso. E para Paul, foi a oportunidade de ver que Boomers e Millennials podem trabalhar juntos, experimentar ideias e que foi tocante ver como o pensamento da sua geração fez sentido para os mais jovens. O respeito mútuo foi gratificante.

E a sua empresa? Você acha que ela promoveria uma experiência como essa?

Por: Jacques Meir é Diretor de Conhecimento, Conteúdo e Comunicação do Grupo Padrão