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Publicado no Jornal de Piracicaba em 26/06/2020

Com a expansão do coronavírus, quase 1,5 bilhão de alunos entre crianças e jovens foram afastados das escolas e das universidades em mais de 160 países. Para não serem canceladas, as aulas foram adaptadas ao ensino a distância (EAD), o que tem sido um desafio para os alunos, pois estudar em casa e sozinho não faz parte do paradigma da maioria deles.

Além disso, as casas são cheias de distrações, entre elas, sofá aconchegante, animais, celular e TV, bem como não há um professor os orientando o tempo todo sobre o que devem fazer. Diante dessa nova realidade, é preciso que o estudante se organize para conseguir estudar remotamente.

A experiência em EAD, na forma como está sendo imposta ao cenário brasileiro devido à pandemia, exigirá paciência dos alunos diante dos imprevistos, porque nem todas as instituições estavam preparadas para uma crise sem precedentes como essa. Muitas escolas e universidades estão fazendo o possível a fim de garantir ferramentas para enfrentar essa situação, mas sem ao menos terem tempo hábil de testá-las ou capacitar as pessoas para seu uso, sem falar que, muitas vezes, a tecnologia nos deixa na mão.

No mês de março, o MEC publicou a Portaria nº 343, a qual autoriza a utilização de meios e tecnologias digitais para a substituição temporária das aulas presenciaisem Instituições de Ensino Superior (IES). Ademais, a recomendação do setor educacional foi para não cancelar as atividades, mas fazer com que professores e alunos trabalhem juntos e de forma remota pela internet por meio de ambientes virtuais de aprendizagem.

É evidente que a pandemia da Covid-19 incentivou os estudantes a aceitarem o EAD, todavia piorou a crise das faculdades, que têm buscado alternativas para sobreviver. A educação superior vem sofrendo sua crise particular desde a desidratação do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) a partir de 2010 e a queda do programa nos anos seguintes entre 2014 e 2019, visto que o montante repassado pelo governo recuou de 13,6 bilhões de reais para 8 bilhões de reais.

Nesse período, para não agravar as perdas, algumas IES lançaram o financiamento próprio, o que ampliou seus riscos financeiros em casos em que a inadimplência chegou a 40%. Outros fatores que contribuíram para aumentar a crise das instituições foram o aumento da concorrência e a guerra de preços no EAD.

Agora, em virtude de um cenário mais crítico, verifica-se mais um fator impactante: a redução da renda da população brasileira, pois, até o final de 2020, o Brasil terá mais de 8 milhões de trabalhadores sem emprego, e isso elevará o contingente de desempregados para 20 milhões. Dados da consultoria Educar indicam queda de 17% no total de novos alunos previstos para o ano de 2020, ou seja, de 2,5 milhões para 2,06 milhões.

O número de matrículas de alunos ingressantes e de rematrículas dos veteranos para o segundo semestre deste ano deverá cair 70%. Hoje a preocupação é se o aluno vai estudar ou não. Como a economia deverá levar um tempo para se recuperar, as IES devem amargar um período mais longo de recuperação, principalmente as que oferecem cursos presenciais mais caros.

O banco de investimento suíço UBS espera recuperação de consumo nesse segmento apenas para o segundo semestre de 2021. A consultoria Educa Insights mostrou que o público interessado em iniciar um curso superior presencial é de 7% para o ano corrente.

Entre os que já estudam, 47% dos alunos presenciais disseram que correm o risco de desistir ante 36% dos alunos dos cursos a distância. Nesse contexto, para contornar as dificuldades, adaptações necessárias devem ser apontadas para as IES que não possuem infraestrutura adequada para oferecimento de um EAD.

O fato é que, quem conseguir se adaptar, vai abraçar a mudança mesmo quando o isolamento social terminar. Desse modo, até as instituições tradicionais mais avessas às novidades tecnológicas têm estudado aumentar as aulas pela internet e, assim, continuar oferecendo cursos de qualidade a seus alunos.