Importância da parceria entre universidade e empresa

Publicado no Jornal de Piracicaba em 07/02/2020

A inovação é a tônica do mundo moderno. À medida que o tempo passa e a tecnologia avança, mais se percebe o valor que uma proposta inovadora tem no cenário atual.

Nessa perspectiva, o distanciamento entre universidade e empresa reduziu a possibilidade de desenvolvimento de ambas, da sociedade, da formação dos acadêmicos e de futuros profissionais. Para o desenvolvimento do País ocorrer no ritmo que a sociedade necessita, a relação entre universidade e empresa deve ser de complementaridade.

A primeira fornece conhecimento e tecnologia, e a segunda absorve os graduados como força de trabalho e como agentes de disseminação desse conhecimento. As empresas podem até financiar pesquisas nas quais se considere a possibilidade do desenvolvimento compartilhado da inovação e, mais especificamente, da transformação do conhecimento em produtos, processos e serviços.

Para melhorar e ampliar as oportunidades decorrentes dessa relação, são necessárias ações para incentivar as atividades de ciência e de tecnologia que estejam em conformidade com as necessidades do setor produtivo. Como exemplo, pode-se destacar o hub de inovação, termo que tem origem no inglês e, basicamente, significa centro de inovação.

Seu funcionamento se dá a partir da junção de diferentes agentes profissionais e empresas com uma ideia semelhante: inovar. Nesse espaço colaborativo, ocorre a troca de informações e de conhecimentos, além do compartilhamento de visões e estratégias, com objetivo de que sejam desenvolvidas soluções conjuntas ou mesmo oferecidas novas tecnologias ao mercado.

Os hubs têm se popularizado bastante no meio empresarial. A participação de empresas e instituições de ensino na busca pela inovação, por exemplo, se intensificou, e isso tem contribuído para a formulação de hubs cada vez mais estratégicos e especializados.

Por esse motivo, há a necessidade de desenvolverem-se novos modelos que busquem a possibilidade de avaliar a experimentação como forma de construção de um novo conhecimento não só oriundo da teoria, mas também sob o aspecto acadêmico pautado na perspectiva de gerar mais oportunidades de trabalho.

Grande parte de estudos realizados sobre a relação entre universidade e empresa tem focado os resultados obtidos pelos projetos de pesquisa. Para a empresa, o que importa não é o resultado, mas o impacto que o novo conhecimento pode causar em seu desempenho, na geração de novos produtos, nos processos produtivos.

O ambiente acadêmico prioriza os resultados sob a forma de produção científica de artigos. O setor empresarial, pressionado por resultados de curto prazo, tem dificuldade de inserir, em seus portfólios, projetos de pesquisa que normalmente são longos e com um grau de risco maior.

Desse modo, sem uma conexão com o portfólio de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da empresa e sem uma unidade corporativa que se importe com o resultado, a pesquisa acadêmica não receberá atenção suficiente para ser considerada útil. Essa relação fica desperdiçada se não se constrói um ambiente adequado para que o conhecimento ultrapasse as fronteiras da academia e chegue até as empresas.