image_pdfimage_print

Publicado no Jornal de Piracicaba em 05/02/2021

O princípio fundamental de todo negócio é saber empreender. Para isso, é necessário ter conhecimento das práticas de gestão, o mínimo de informações sobre o ramo de atividade selecionado e noções financeiras. O fato é que muitos empresários, sejam veteranos ou iniciantes, desconhecem ou ignoram a relevância desses conhecimentos. No cenário atual, é importante rever o modo como estão ocorrendo as práticas de gestão nos negócios em um momento de mudanças transformadoras das formas de gestão e de comportamento do mercado. Desde a Segunda Revolução Industrial, que se iniciou na segunda metade do século XIX e se findou no meado do século XX, os princípios norteadores de gestão têm sido a produção em massa e a divisão de tarefas. Em ambos os séculos, o mundo corporativo se baseou na hierarquia de decisões e de funções, com elevado foco na cadeia de valor e atenção máxima ao produto, numa visão de negócio “de dentro para fora”. São significativas as mudanças que o mundo tem vivido desde o início do século XXI. Especialmente agora, em virtude da pandemia, ocorreu uma transformação que forçou as empresas, mesmo sem estarem preparadas, a repensar suas formas de gestão para continuarem presentes no mercado. É comum identificar empresas que apresentam resistência para alterar seu modo de atuar e de pensar. Crenças culturais do século passado e comportamentos engessados têm contribuído para a não evolução e a não transformação dos negócios. Apesar de pertencermos a um época marcada por significativas e constantes inovações, poucos saem do casulo para buscar novos conhecimentos e práticas que possam agregar e dialogar com o novo mercado, o chamado “clientocêntrico”, o qual exige propósito, inovação, agilidade, digitalização e foco no valor gerado para clientes, bem como tem gestão executada pela geração dos Millenials pessoas para as quais a tecnologia, a internet e as redes sociais são imprescindíveis,  com nova forma de trabalho baseado no humano versus digital. As empresas denominadas tradicionais têm perdido terreno para novos entrantes, muitos deles oriundos de start-ups, que utilizam novas práticas e formas de gestão e de dinâmica para os negócios. É na Quarta Revolução Industrial, tendo como marco o ano de 2016, que, com a influência da tecnologia, se inicia a era da conectividade e das fábricas inteligentes. Essas mudanças, aliadas ao contexto de 2020, mostraram que um novo modelo de gestão deve ser adotado no sentido de os negócios serem orientados para o cliente por meio de práticas de inovação, digitalização e agilidade. Desse modo, negar a necessidade de adotar uma nova forma de atuar, um novo modelo de gerenciar, será prejudicial ao negócio, visto que ele terá dificuldades de sobrevivência na próxima década e no futuro. O momento exige das empresas uma gestão que possa estruturá-las para a nova realidade e que priorize as ações de mudança com projeto e metas claros por meio da integração tanto de suas diversas áreas quanto de pessoas e de funções, o que lhes garantirá posicionamento no mercado. Cabe destacar que as informações sobre práticas de gestão são, em grande parte, fruto da década de 1980 e da globalização. Diante desse cenário, as empresas precisam se valer do conceito de lifelong learning, o qual deve ser adotado no ambiente corporativo a fim de incentivar o fortalecimento de uma cultura organizacional que valorize o processo de aprendizagem contínua dos colaboradores. Atualmente não basta o profissional dominar uma função, e sim se especializar cada vez mais nela e trabalhar em equipe para enfrentar desafios. O que antes demorava meses, anos ou até mesmo décadas para ser transmitido, hoje nos chega por meio de um simples clique. Assim, é um grande desafio para a empresa sobreviver em uma sociedade tecnológica e com imensa quantidade de informações. Isso requer que ela compreenda que a necessidade de mudança é tarefa de todos que a constituem.