image_pdfimage_print

Falar de menstruação pode ser desconfortável. O assunto não é muito discutido fora dos consultórios e das farmácias. Ir até uma loja para falar sobre o seu fluxo ou sobre o ciclo menstrual de outra pessoa pode parecer estranho, mas para quem conhece a Pantys isso fica cada vez mais longe de ser um tabu. A marca aposta em um novo jeito de encarar esse período e vende calcinhas feitas para substituir os absorventes comuns. A ideia é que as clientes fiquem despreocupadas durante o ciclo menstrual e encarem os dias de fluxo como normais. À primeira visita, todos (homens também vão à loja) estranham e se perguntam como o produto funciona. A Pantys é a primeira empresa a fabricar e a vender esse tipo de roupa íntima no Brasil. Hoje, o grande desafio das sócias que fundaram o negócio, a engenheira química americana Emily Ewel e a brasileira Maria Eduarda Camargo, é responder a perguntas. Muitas perguntas: como funciona? Vaza? Como faz a higienização do produto? Em quanto tempo ele deve ser descartado? Diante de tantas dúvidas, antes de vender o produto, elas precisam vender toda a categoria. Afinal, é tudo muito novo para as consumidoras brasileiras. Depois de mais de um ano de pesquisas, elas finalmente abriram uma loja virtual em agosto do ano passado. A oportunidade que Emily havia identificado se concretizou – todo o estoque foi vendido em menos de um mês. O motivo é nobre, mas já nas primeiras semanas elas enfrentaram a primeira grande dificuldade: aumentar a capacidade de produção. Ao menos 18 componentes são necessários para a fabricação das calcinhas e dos sutiãs. COMO FUNCIONA? A calcinha é feita em camadas para realizar a absorção. O tecido é à prova d’água e possui secagem rápida para evitar que as mulheres fiquem em contato com a menstruação. Aliado a isso, a tecnologia usada para produzir as peças mata a maioria das bactérias, o que evita o mau cheiro. A grande aposta da Pantys é o conforto. Os itens têm um terço da espessura do absorvente comum. A empresa promete uma absorção três vezes mais potente que os absorventes externos. O portfólio da marca é dividido em duas linhas – menstruação e maternidade. As calcinhas são separadas por fluxo – a tanga é usada para fluxo leve, os modelos clássica e biquíni servem para fluxo moderado, já as hot pants são recomendadas para fluxo intenso. A Pantys também oferece produtos para serem usados no período pós-parto. O sutiã da marca facilita a amamentação e evita vazamentos. Existe também uma calcinha pós-parto.A Pantys quer mudar o jeito de falar sobre menstruação. Para a marca, o desconforto que o assunto traz é coisa do passado.A marca começou no e-commerce, mas percebeu que a natureza do produto precisava de uma concretização física. As clientes precisavam ter contato com o produto. Para resolver o problema, a empresa abriu uma pop store em São Paulo. A inauguração da loja aconteceu três meses depois do início da operação na internet. Com isso, a marca de lingeries não fez o caminho tradicional – iniciar no ponto físico e depois apostar na loja virtual. O plano de expansão da empresa não descarta a abertura de novos pontos físicos. As empreendedoras estão à espera de boas oportunidades. O movimento da Pantys mostra a importância das lojas físicas e do contato dos consumidores com o produto.
“As pessoas vêm aqui e falam ‘nossa, não acredito que parece uma calcinha normal’; este é um espaço institucional e serve para as pessoas terem contato com o produto”, conta Emily sobre a loja que fica na famosa rua Oscar Freire. Além da unidade própria, os produtos também são vendidos em mais três espaços – dois no Rio de Janeiro e um projeto em Pinheiros, na capital paulista.

POR Leonardo Guimarães da Revista No Varejo