image_pdfimage_print

Publicado no Jornal de Piracicaba em 17/04/2020

O planejamento no âmbito educacional pode ser compreendido como a adoção de um conjunto de medidas devidamente elaboradas, com o intuito de aprimorar algo. Por meio de um plano estratégico a partir de análises e decisões corretas, a instituição de ensino pode ser muito beneficiada.

Cabe destacar que investir em gestão não é apenas cortar custo, é necessário ter postura estratégica, visão de futuro e investimentos na atividade-fim: o aprendizado dos alunos. Além disso, é preciso identificar as incertezas do setor educacional, que está preocupado com as significativas consequências que a pandemia do novo coronavírus pode gerar, em especial na educação brasileira.

O que será do ensino superior pós-Covid-19?  O contexto da crise forçou as instituições, mesmo as sem planejamento, a adotar um ensino a distância (EAD) com a utilização das diversas plataformas e modalidades para transmitir o conhecimento.  O acesso à informação, as novas tecnologias, o mundo digital e a inteligência artificial impactarão o ensino superior.

As instituições precisam ser criativas nesse momento, para isso é necessário que as pessoas envolvidas reconheçam a hora certa para mudar, pensar, repensar modelos acadêmicos, construir projetos alinhados com o os desafios atuais.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), mais de 1,3 bilhão de alunos de todo o mundo estão sendo afetados pelo fechamento das escolas e universidades devido ao isolamento social necessário para combater a pandemia, o que representa cerca de 80% da população estudantil mundial. Além disso, mais de 60 milhões de docentes não podem trabalhar presencialmente em salas de aula.

Com objetivo de manter a relação entre alunos e professores e minimizar o prejuízo do ensino, muitas instituições foram obrigadas a implementar e inovar suas metodologias de aprendizado virtual. O setor educacional no Brasil enfrenta esses mesmos impasses.

As instituições privadas de ensino superior, responsáveis por 75% dos alunos de graduação, estão realizando investimentos relacionados ao uso da tecnologia como adoção de novas plataformas de ensino, ampliação da segurança digital, pacotes para acesso à internet, com a finalidade de ofertar um serviço remoto de qualidade para não gerar prejuízos a seus alunos. Compreender o cenário é a primeira fase de um planejamento denominada de diagnóstico, na qual se identificam ameaças e oportunidades  do macroambiente.

Neste artigo, trabalha-se o planejamento sob a ótica de três cenários prováveis: o esperado, o otimista e o pessimista. Para possibilitar a compreensão desse cenário e contribuir para o  desenvolvimento  da fase inicial do diagnóstico, buscou-se informações no estudo realizado pelo Semesp. Embora as aulas on-line tivessem uma boa aceitação no início da quarentena, as buscas por trancamento mantiveram-se em níveis normais.

Esse otimismo tende a não se manter devido à questão econômica: o país deve enfrentar uma retração da economia com aumento do número de desempregados e da queda da renda. De acordo com o Relatório Focus emitido pelo Banco Central, num cenário pessimista, o Brasil pode chegar a 18,3 milhões de pessoas desempregadas, o que acarretará aumento da taxa de evasão.

No atual cenário,  é difícil prever o número de desistentes nos próximos meses. Essa previsão dependerá de ações tomadas no curto prazo. Com a queda acentuada da renda dos familiares e dos próprios estudantes, o percentual de não pagamento das mensalidades deve aumentar; no caso dos cursos presenciais, estima-se em 34,4%.

A inadimplência das mensalidades com atraso superior a 90 dias, que apresentou crescimento nos últimos anos pela redução do financiamento estudantil (FIES) concedido pelo governo, com a crise econômica que o Brasil já passava, projetam-se aumentos mais significativos em 2020.

Numa perspectiva pessimista, grande parte das instituições deve continuar as atividades on-line até o fim de 2020, e  a renda dos alunos e a de suas famílias serão afetadas, e isso ocasionará um número menor de ingressantes. Nesse sentido, as instituições terão que fazer mudanças em longo prazo em seus currículos e nas abordagens de ensino, para que seus alunos consigam se formar no tempo certo.