image_pdfimage_print

Publicado no Jornal de Piracicaba em 07/06/2019

O distanciamento entre a universidade e a empresa reduziu a possibilidade de  desenvolvimento de  ambas, da sociedade, da formação dos  acadêmicos e de futuros profissionais.

Para que o desenvolvimento ocorra em ritmo que a sociedade necessita, a relação universidade e empresa deve ser um elo de complementaridade. A universidade fornecendo conhecimento e tecnologia, e, a  empresa absorvendo os graduados, como força de  trabalho e como agentes de disseminação do conhecimento.

As empresas podem até financiar pesquisas onde considere a possibilidade do desenvolvimento compartilhado da inovação e, mais especificamente da transformação do conhecimento em produtos, processos e serviços.

Para melhorar e ampliar essa oportunidade da relação universidade e empresa são necessárias ações que incentive as  atividades de ciência e tecnologia articuladas com as necessidades do setor produtivo. As pressões dos mercados e a necessidade de: – alterações nas organizações para tornarem competitivas; – rever as relações de emprego de longo prazo para prazos mais curtos; – repensar os modelos de gestão para adequação as exigências do mercado,  exige uma reflexão das praticas atuais desenvolvidas entre as partes.

Há a necessidade de desenvolverem-se novos modelos que busquem a possibilidade de avaliar a experimentação como forma de construção de um novo conhecimento não só oriundo da teoria, mas sob o aspecto acadêmico pautado na perspectiva de gerar maiores oportunidades de trabalho. Grande parte de estudos realizados sobre a relação universidade empresa tem focado nos resultados obtidos pelos projetos de pesquisa.

Para a empresa o que importa não é o resultado, mas o impacto que o novo conhecimento gerado pode contribuir para o desempenho de uma empresa, na geração de novos produtos e nos processos produtivos. São poucos os casos isolados de sucesso, a parceria anda por um caminho cheio de obstáculos no Brasil.

Para melhorar a relação é preciso compreender  os obstáculos. Por parte da universidade são vistas como ambientes burocráticos e complexos fatores que desestimulam o pesquisador de procurar parcerias com a iniciativa privada, uma vez que o fator tempo para o meio empresarial tem grande importância, pois necessita de resultados rápidos para assegurar sua competitividade no mercado.

Apesar de existir legislação que permita ao pesquisador ser recompensado financeiramente, ao transferir sua pesquisa para empresa privada fica mal vista pelos acadêmicos. O ambiente acadêmico prioriza os resultados sob a forma de produção cientifica de artigos.

O setor empresarial pressionado por resultados de curto prazo têm dificuldade de inserir em seus portfólios, projetos de pesquisa que normalmente são longos e com um grau de risco maior. A pesquisa acadêmica sem uma conexão com o portfólio de P&D (pesquisa e desenvolvimento) da empresa e sem uma unidade corporativa que se importe com o resultado, certamente não receberá atenção suficiente para ser considerada útil.

Essa relação fica desperdiçada se não constrói um ambiente adequado para que o conhecimento ultrapasse as fronteiras da academia e chegue até as empresas.