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Publicado no Jornal de Piracicaba em 12/06/2020

Neste texto, trato de um tema muito importante na relação entre indústria e varejo: os aspectos que envolvem as atividades dos supervisores de merchandising no ponto de venda (PDV). O pano de fundo desse local são os bens de consumo ou, em outras palavras, produtos de giro rápido que os consumidores amam e não aceitam  a falta deles nas prateleiras do varejo.

O supervisor de merchandising não é um supervisor de trade marketing nem um profissional da área administrativa, e também não é um promotor de vendas. É o cérebro e os olhos da indústria no PDV. Não apenas conhece as regras do jogo, como tem conhecimento total sobre todos os guias de merchandising, negociações e campanhas.

Enquanto o supervisor de trade marketing prepara o terreno, o supervisor de merchandising garante a execução, o acontecimento das ações em campo. Esse profissional é um gestor de pessoas e PDVs que necessariamente domina ações e informações externas para prestar auxílio aos promotores de vendas e, desse modo, necessita conhecer bem sua equipe.

Desempenha uma série de tarefas nos PDVs, e algumas das mais essenciais englobam: garantia da execução da loja perfeita; suporte à equipe de promotores e vendedores; identificação de oportunidades de melhorias; envio de relatórios e indicadores para o back-office; implementação de materiais de merchandising; conhecimento detalhado de todas as ações em campo. Em síntese, sua função é o de sempre deixar a loja melhor do que a encontrou.

Ele é a pessoa que precisa ter todas as respostas na ponta da língua. Para a indústria, sua atribuição é importante, porque consegue aumentar as vendas dos varejistas e consequentemente assegurar posicionamento do produto no PDV. Eles são os grandes pesquisadores da indústria no PDV, portanto seu dever precisa ser exaltado e reconhecido permanentemente, bem como cabe à indústria não concordar com o desvio de sua função.

Não adianta ter informação e tecnologia aplicada se não cuidar do ser humano que coordena o abastecimento das gôndolas diariamente. Assim, sua atribuição é muito mais do que ser um mero repositor de gôndola, é vestir a camisa da marca e disputar o melhor espaço de venda seguindo as regras do jogo. É ter a sensibilidade para entender o PDV, aplicar metodologia, ter disciplina e garra para fazer a diferença. É usar da criatividade na montagem do ponto extra e surpreender o cliente.

Desse modo, pode-se afirmar que, de um modo geral, ele é insubstituível – é a figura que está entre o responsável pelo trade marketing na empresa e o time de promotores. Seu papel não é elaborar planejamentos, mas ser um líder que tenha um bom entrosamento com esse time. Pelo fato de ser um motivador de sua equipe, é possível dizer que o supervisor de merchandising é um gestor de pessoas e de atividades que acontecem no PDV.

Seu principal desafio no mercado atual é se posicionar como “o” responsável pelo time, deixando de lado as atividades operacionais. Nesse sentido, precisa assumir a postura de comandante do grupo, caso contrário, o time fica sem liderança e cada um sai jogando como quer. Por isso, é importante que o profissional nessa função seja alguém que saiba se comunicar bem e tenha aptidão para criar laços com a equipe.

Os bons supervisores não são aqueles que ficam dando ordens sem motivos, com o intuito de somente demonstrar força e poder. São figuras agregadoras, que explicam a razão das ações e têm habilidade para lidar com pessoas diferentes.